Raindrop: Pagan Poetry

Tag: 2008

Frio

by on jan.20, 2009, under Textos

Frio que cresce, sufoca, aperta,
O, frágil, pulso incerto, apressa,
O grito, engolido, medo enxerta,
Profundo desespero engessa
Na carne não mais inanimada do peito.

Palavras estraçalham as flores e panos,
Desnudando a estátua, mostrando o humano.

Puxo as cortinas, tranco as portas
Mas tudo inunda, invade e pilha
Derrotas, lágrimas vivas, almas mortas
Apagando luzes, tornando tudo em ilha

Silêncio engole doce e vomita ácido
Até que desce a escuridão e tudo consome.

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Correntes

by on jan.20, 2009, under Textos

Ouviu a corrente se arrastar. Foi um ruído quase imperceptível, e provavelmente já estava o acompanhando a algum tempo, sem que seus ouvidos percebessem, sem que sua pele notasse o toque gelado do metal, sem que sua mente reagisse. Virou-se e pela primeira vez pode ver claramente que o prendiam. Ou pelo menos julgou ser a primeira vez.

Como haviam o prendido por tanto tempo? Como estava sendo sufocado sem oferecer o mínimo de resistência? Como havia deixado que aquelas amarras o abraçassem e lhe acompanhassem até tão longe?
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Sol

by on jan.20, 2009, under Textos

A ostra abriu sua concha por um segundo, e naquele instante viu o brilho da luz do sol.

No próximo havia apenas a garra do caranguejo.

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Pecados

by on nov.12, 2008, under Textos

Ainda nevava levemente, e o vento gelado corria pela imensa área que um dia fora coberta por exuberante vegetação. Mas o ar agora não encontrava qualquer resistência ao movimento: os poucos troncos quebrados que restaram jaziam sob a espessa camada de água cristalizada. O manto branco escondia o retrato da destruição que tomara lugar naquele vale à muito tempo atrás. Desde então o relógio havia se esquecido de marcar as horas. E o inverno se esquecera de ceder lugar à primavera.

Porém a antiga catedral ainda ocupava, como fora desde o início dos tempos, o mesmo lugar, suas duas torres saindo da neve como lanças negras desafiando a natureza. A única resposta que esta lhe dava era lançar lufadas gélidas adentro da janela, uma boca de vidro afiado como presas mas que jamais cortaram carne alguma: nenhum animal sobrevivera ao longo período glacial para se aventurar ali. As noites e dias passavam silenciosamente, exceto por alguns raros uivos dos lobos que habitavam as montanhas ao norte.
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